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Estos son textos son reflexiones personales de algunos de acá, del grupo o de amigos sobre cosas que se van viendo u oyendo. No es algo que ocurra "dentro" de la Asamblea, sino "afuera".
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son los que van presentando (y hay muchísimos) sea para el equipo de trabajo, sea para los que están en la asamblea, sólo los más representativo

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Análisis del Discurso Inaugural de Benedicto XVI

CONFERÊNCIA DE APARECIDA O DISCURSO INAUGURAL DO PAPA BENTO XVI SÍNTESE E DESTAQUES, Agenor Brighenti

Discurso de Bento XVI Abertura da V Conferência, J. B. Libanio, Anotações provisórias

O fundamental e o secundário no discurso do papa Bento XVI, Jung Mo Sung

BENEDICTO XVI Y LA OPCIÓN POR EL POBRE, Gustavo Gutiérrez

Una teología debe partir y llegar al Reino de Dios, Eduardo de la Serna

A Mensagem de Aparecida: Sonho e cálculo Eduardo Hoonaert (historiador)


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Discípulos y discípulas de Jesús. Aportes el Nuevo Testamento

Presbiteros

Una Iglesia para América Latina y El Caribe Seminario latino-americano de Teología Pablo Richard


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Unida tematica 1


Propuestas para el actuar

unidad tematica 2


propuesta de hilo conductor del documento final

Un Hilo Conductor (2)


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MENSAJE DE LA V CONFERENCIA GENERAL A LOS PUEBLOS DE AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE


O fundamental e o secundário no discurso do papa Bento XVI

O fundamental e o secundário no discurso do papa Bento XVI

 

Jung Mo Sung

 

         O discurso do papa Bento XVI na abertura da V Conferência do CELAM, no dia 13 de maio, em Aparecida, destoa de outros discursos feitos por ele na sua visita ao Brasil. De uma certa maneira, ele surpreendeu as expectativas de muitos analistas que vinham acompanhando as suas falas e colocou no centro da sua mensagem o problema da desigualdade social e o desafio do desenvolvimento integral.

         Após dizer que “o discípulo, fundamentado na Palavra de Deus, se sente impulsionado a levar a Boa-Nova da salvação a seus irmãos” (Discurso, n.3), o papa afirma: “Os povos latino-americanos e caribenhos tem direito a uma vida plena, própria dos filhos de Deus, com umas condições mais humanas: livres das ameaças da fome e de toda forma de violência (...) Em este contexto me é grato recordar a Encíclica ‘Populorum Progressio’, cujo 40º. Aniversário recordamos este ano. Este documento pontifício põe em evidência que o desenvolvimento autêntico há de ser integral, isto é, orientado à promoção de todo o homem e de todos os homens, e convida a todos a suprimir as graves desigualdades sociais e as enormes diferenças no acesso aos bens” (n.4). Esta afirmação pode ser interpretada como uma explicitação da doutrina de que ele afirmou no mesmo discurso: “a opção pelos pobres está implícita na fé cristológica em aquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com sua pobreza” (n.3).

         Ao responder à pergunta “como pode a Igreja contribuir na solução dos urgentes problemas sociais e políticos?”, o papa afirma: “Neste contexto é inevitável falar do problema das estruturas, sobretudo das que criam injustiça. Em realidade, as estruturas justas são uma condição sem a qual não é possível um ordem justa na sociedade” (n.4). Em outras palavras, sem uma transformação profunda na dimensão pessoal e também estrutural da sociedade não é possível uma vida liberta das ameaças da fome e da violência, uma vida própria dos filhos e filhas de Deus.

         É claro que são possíveis outras interpretações e análises deste discurso do papa, mas penso que estas duas idéias representam o que segundo o papa é o principal desfio concreto que a Igreja deve assumir na sociedade hoje e a questão estratégica fundamental (a criação de uma nova estrutura econômica, política, social e cultural). À primeira vista, tomando em consideração somente estes dois pontos centrais, não haveria diferença entre a posição dele e de qualquer teólogo ou teóloga da libertação. Porém, as coisas não são tão simples assim.

         Algumas diferenças importantes surgem quando tratamos das mediações necessárias para atingir estes objetivos. O primeiro passo é o conhecimento da realidade. Para o papa, “só quem reconhece a Deus, conhece a realidade”, porque a realidade não se resume aos bens materiais ou problemas econômicos, sociais e políticos. Mas quem conhece a Deus para poder conhecer a realidade e construir uma sociedade justa? “Só Deus conhece a Deus, só seu Filho que é Deus”. Por isso, para ele, “a importância única insubstituível de Cristo para nós, para a humanidade. Se não conhecemos a Deus em Cristo e com Cristo, toda a realidade se converte em enigma indecifrável; não há caminho e, ao não haver caminho, não há vida nem verdade” (n.3). E que conhece verdadeiramente a Cristo? A Igreja Católica.

         Com esta argumentação, o papa coloca o cristianismo como a única religião capaz de “salvar” a humanidade da crise social, moral e ecológica, que a assola (fechando as portas para um verdadeiro diálogo entre as religiões sobre os desafios do mundo); e a Igreja Católica como a mais plena dentre as igrejas cristãs. Por isso ele afirma que “Só da Eucaristia brotará a civilização do amor, que transformará América Latina e o Caribe para que além de ser o Continente da Esperança, seja também o Continente do Amor”, razão pela qual “a necessidade de dar prioridade, nos programas sociais, à valorização da missa dominical” (n. 4).

         Esta posição teológica do papa não deve ser confundida com uma visão romântico-ingênua que pensa que a fé é suficiente e que a racionalidade política, econômica e social não é necessária. Para ele, esta racionalidade é necessária e deve ser elaborada à luz dos valores fundamentais que emanam do conhecimento de Deus, transmitida ao povo através da Palavra de Deus, e de instrumentos de catequese como o Catecismo e a Doutrina Social da Igreja Católica. Reconhecendo e respeitando a laicidade e a pluralidade das posições políticas, ele diz que o trabalho político não é competência imediata da Igreja e que os leigos devem estar presentes na vida pública.

         Eu penso que podemos e devemos diferenciar o fundamental do secundário no discurso do papa. O mais importante em termos da definição do futuro da Igreja Católica na A.L. e Caribe é a criação de um consenso sobre o desafio prioritário frente aos graves problemas do mundo de hoje. Neste ponto o papa Bento XVI deu uma clara indicação: construção de uma nova estrutura econômica, social, política, moral e cultural que livre todas as pessoas da ameaça da fome e da violência, como uma expressão concreta da fé em Jesus Cristo; e do que está implícito nessa fé: a opção preferencial pelos pobres.

         Os caminhos concretos para a realização deste objetivo – que podem ser plurais – devem ser objetos de diálogos, debates, revisões e reformulações constantes de acordo com as mudanças que vão ocorrendo e com as aprendizagens que vamos fazendo.

 

* Professor de pós-grad. em Ciências da Religião da Univ. Metodista de S. Paulo e autor, entre outros, de “As sementes de esperança: a fé em um mundo em crise”.

 

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